Primeira moto? Pense maior! (Crônica)

É inevitável o mantra de jovens pais quando descobrem que tenho certo envolvimento no mundo das motos. A pergunta começa assim: “sabe, Roberto, tenho um filho que vai completar 18 anos e é aficionado por motos…” Já pulo o resto da conversa e vou para o final:”… Ok, velhinho, e você quer saber qual moto comprar para o pequeno vivente, certo? Está pensando numa pequena de 125 cm³, certo?” Em 90% dos casos acerto…

Bem, aqui vamos nós… A moto certa é aquela com duas rodas e um motor no meio. Não existe moto certa para começar, tudo depende de como vai ser usada, mas algumas dicas podem ser úteis.

Há uma falsa sensação de segurança em optar por motos pequenas, achando que por serem maislentas são menos propensas a acidentes. Talvez sejam mais baratas de um modo geral, mas muitas vezes não são as mais adequadas ou seguras.

Vou explicar em poucas linhas o que parece óbvio: devido ao baixo desempenho, as pequenas andam quase no limite para acompanhar o trânsito das grandes avenidas, e acima dele (do limite) na estrada, ou seja, não há nenhuma “reserva” para encarar uma ultrapassagem, vento lateral ou escapar de uma situação de risco.

Se falarmos das bem pequenas mesmo, a coisa pode ficar mais séria e até perigosa. Algumas das charmosas scooters têm rodas minúsculas, o quepode contribuir para um “duplo carpado invertido” caso o jovem piloto tenha o azar de cair com a roda dianteira em uma de nossas crateras.

Ah, então o negócio é comprar uma gigante Honda Gold Wing ou uma Harley-Davidson Electra Glide para o aprendiz de piloto? Peraí! Motos grandes são pesadas, geralmente, mais caras e difíceis de manobrar no trânsito, além do mais, geram um medo adicional: de cair e não conseguir levantar a “jamanta”, ficando preso sob amoto. Se isso acontecer em um local ermo, pode ser que a ossada do vivente seja achada por um arqueólogo do século XXII.

Exageros à parte, se a pessoa for do estilo “mignon”, é possível que todas as questões que levantei anteriormente sejam amplificadas. Então voltamos paras as menores, que nos quesitos peso e agilidade, são leves e fáceis de conduzir. As scooters, filhas da saudosa Lambreta, ajudam ainda mais nessa questão, pois possuem o centro de massa baixo, o que a torna fácil de manobrar, segurar ou levantar se ela inclinar (princípio do “joão bobo”). Mas essas duas categorias ficam nos extremos do espectro das motos.

Deixei as versáteis para o final, que são as médias, aquelas de 250 cm³ a 400 cm³. Para mim, tecnicamente, e sem considerar a questão financeira, são as mais interessantes para um iniciante. Ficam no meio do caminho. Possuem um valor mediano, manobram bem, são resistentes, de manutenção fácil, acessível e acompanham bem o trânsito, seja em avenidas, seja na estrada.

Outra coisa a se considerar é não comprar a moto nova, afinal, pode ser uma moto de transição, e o valor é substancialmente mais baixo fora das concessionárias. Espero não ter confundido em vez de ajudar. De uma forma ou de outra, o intuito é desmistificar a ideia que moto pequena sempre é boa para iniciantes.

Keep Riding!

Por Roberto Severo
Fonte: Motopress

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